Engenharia de IA do protótipo à produção LLMs, RAG, agentes e MCP com Python
Leonardo Pena
Sobre o livro
Nunca foi tão fácil criar uma demonstração impressionante com Inteligência Artificial. Algumas linhas de código, uma chamada de API e pronto: um assistente que conversa, resume documentos e responde perguntas. O difícil vem depois. A pergunta que mais ouço, em consultorias e em salas de aula, é sempre alguma variação de: "Ok, entendi o que é um LLM. Agora, como faço um sistema com LLMs funcionar em produção sem quebrar, sem custar uma fortuna e sem inventar respostas?"
Este livro é uma resposta a essa pergunta. Ele é um guia prático de Engenharia de IA: a disciplina de construir sistemas com LLMs (Large Language Models, grandes modelos de linguagem) que funcionam no mundo real não apenas em provas de conceito, mas em produção, com usuários reais e consequências tangíveis.
A jornada começa por uma mudança de mentalidade: sair do paradigma determinístico, em que a mesma entrada produz sempre a mesma saída, e aprender a projetar, testar e operar sistemas probabilísticos, em que a resposta pode variar e, ainda assim, precisa ser confiável. Sobre essa base, construímos o repertório completo da Engenharia de IA: prompts, RAG, agentes, fine-tuning (ajuste fino), dados, arquitetura, testes, observabilidade e deploy.
Como o livro está organizado
Os dez capítulos formam uma trilha contínua, do fundamento à produção:
1. A mudança de paradigma: o que muda ao sair do mundo determinístico para o probabilístico, e por que a Engenharia de IA é uma disciplina própria;
2. A anatomia dos LLMs: tokens, embeddings (representações vetoriais) e a arquitetura Transformer, sempre com foco nas consequências práticas: custo, latência e escolha de modelo;
3. Engenharia de Prompt e raciocínio: dos cinco componentes de um bom prompt às técnicas de raciocínio, como Chain of Thought e ReAct, passando por segurança e avaliação sistemática;
4. RAG: como dar memória externa aos LLMs: indexação, chunking (fatiamento), re-ranking (reordenação), busca híbrida e as métricas para saber se a resposta é fiel ao contexto;
5. Agentes e ferramentas: Function Calling (chamada de função), memória, padrões de raciocínio, sistemas multiagente e os limites de segurança que todo agente precisa ter;
6. Fine-tuning e adaptação de modelos: quando (e principalmente quando não) especializar um modelo, com SFT, DPO, LoRA e QLoRA;
7. Engenharia de Dados: governança, versionamento, dados sintéticos, pipelines e monitoramento de drift (mudança na distribuição dos dados): a fundação de que todo o resto depende;
8. Arquitetura, testes e observabilidade: arquiteturas de referência, a pirâmide de testes adaptada para IA, guardrails (barreiras de segurança) e o Model Context Protocol (MCP);
9. Serving, deploy e infraestrutura: hardware, quantização, métricas de performance e a conta de quando vale a pena sair da API para o self-hosting (hospedagem própria);
10. Projeto completo, ética e futuro: tudo junto em um projeto real, da definição do problema ao deploy, com auditoria ética e as tendências que vêm pela frente.
Do primeiro ao último capítulo, você acompanha a jornada de Ana, uma engenheira de software em transição para a Engenharia de IA. Os problemas que ela enfrenta, o protótipo que traz trechos irrelevantes, o agente que quase apagou dados de produção, o modelo que não cabe na GPU são os mesmos que você vai encontrar nos seus projetos, e cada capítulo mostra como resolvê-los. No capítulo final, construímos com ela um projeto completo, o Assistente de Análise de Contratos, que integra tudo o que foi visto.
Tecnologias utilizadas
Os exemplos são em Python, com nomes de variáveis e funções em português. Ao longo do livro usamos, entre outras ferramentas, as bibliotecas 'openai' (com o modelo 'gpt-4o-mini' na maioria dos exemplos), 'tiktoken', 'sentence-transformers', 'pydantic' e 'chromadb', além de 'peft' e 'transformers' para LoRA e QLoRA, DVC para versionamento de dados, 'pytest' e promptfoo para testes, e vLLM para servir modelos.
Mais importante que as ferramentas, porém, são os conceitos. Modelos e bibliotecas evoluem rápido — os citados no texto refletem o que estava disponível à época desta escrita —, mas os princípios de engenharia que você vai aprender continuam valendo quando a próxima geração chegar.
Exercícios e código-fonte
Todo capítulo termina com a seção "Mão na massa": três exercícios em níveis progressivos: básico, intermediário e desafio, que vão da reflexão guiada à implementação completa. Os códigos dos exemplos e as soluções comentadas de todos os exercícios estão disponíveis no repositório do livro: https://github.com/ileoh/solucoes-aieng-leonardo-pena.
Para quem é este livro
Este livro foi escrito para quem desenvolve software e quer dar o próximo passo: sair do "já testei a API do ChatGPT" para "eu projeto, construo e opero sistemas com LLMs em produção". Ele vai ajudar especialmente:
Pessoas desenvolvedoras e engenheiras de software que vieram do mundo determinístico, como Ana, a personagem que acompanha todo o livro, e querem incorporar LLMs aos seus sistemas com a mesma seriedade de engenharia que aplicam ao restante do código;
Cientistas e engenheiros de dados que já conhecem modelos, mas querem aprender a transformá-los em produto: RAG, agentes, testes, observabilidade e deploy;
Tech leads e arquitetos que precisam tomar decisões fundamentadas, RAG ou fine-tuning? API ou self-hosting? — e avaliar custo, risco e qualidade de sistemas de IA.
Pré-requisitos
Para aproveitar bem a leitura, você precisa de:
Python básico: ler e escrever scripts simples, instalar pacotes com 'pip' e executá-los no terminal. Os exemplos são curtos e não usam recursos avançados da linguagem;
Noções de desenvolvimento de software: o texto assume familiaridade com conceitos do dia a dia de quem programa, como APIs, JSON e controle de versão com Git;
Contato prévio com LLMs como usuário: já ter conversado com um ChatGPT, Claude ou similar e saber, na prática, o que essas ferramentas fazem.
Tão importante quanto é o que você não precisa: matemática avançada, Estatística ou experiência com treinamento de modelos. Sempre que um conceito técnico aparece — tokenização, embeddings, atenção, quantização —, ele é construído do zero, com analogias do cotidiano antes do formalismo. Priorizamos sempre o porquê, qual problema prático estamos resolvendo, para só então nos aprofundarmos no como.
Vale dizer também o que este livro não é. Ele não ensina a treinar LLMs do zero nem é um texto de pesquisa em deep learning; e não é um catálogo de prompts prontos, tampouco o manual de um framework específico. Frameworks mudam a cada semestre. O que este livro ensina é o que fica: os fundamentos e as decisões de engenharia por trás de qualquer sistema com LLMs.
Sumário
- 1. A mudança de paradigma — boas-vindas à Engenharia de IA
- 1.1 A virada de chave — do determinístico ao probabilístico
- 1.2 Escopos que se encontram — AI, ML e Software Engineering
- 2. A anatomia dos LLMs — desvendando o motor da IA
- 2.1 Passo 1 — O idioma dos modelos — tokenização
- 2.2 Passo 2 — Transformando palavras em números — embeddings
- 2.3 Passo 3 — O cérebro da operação — A arquitetura Transformer
- 2.4 O coração do Transformer — self-attention
- 2.5 Os três sabores de Transformers
- 3. Engenharia de Prompt e raciocínio
- 3.1 O básico — a diferença entre um pedido e uma instrução
- 3.2 A anatomia de um bom prompt — os cinco componentes
- 3.3 Fundamentos — do básico ao raciocínio guiado
- 3.4 Padrões avançados de raciocínio
- 3.5 System prompt — o contrato mestre da IA
- 3.6 Ameaças a prompts e segurança
- 3.7 Defesas e avaliação
- 4. RAG — dando memória externa aos LLMs
- 4.1 A motivação para o RAG — por que não apenas fine-tuning?
- 4.2 A arquitetura clássica de RAG (RAG 1.0)
- 4.3 Chunking e re-ranking — aprimorando a qualidade da busca
- 4.4 Agentic RAG — tornando o RAG mais inteligente
- 4.5 Avaliação de sistemas RAG
- 5. Agentes e ferramentas — dando poder de ação aos LLMs
- 5.1 O ciclo de vida de um agente
- 5.2 Function Calling — o mecanismo que dá mãos ao LLM
- 5.3 A memória do agente
- 5.4 Padrões de raciocínio
- 5.5 Sistemas multiagente
- 5.6 Segurança — o poder exige responsabilidade
- 6. Fine-tuning e adaptação de modelos
- 6.1 Quando fazer fine-tuning? A decisão mais importante
- 6.2 Tipos de fine-tuning — ensinando de formas diferentes
- 6.3 LoRA — fine-tuning acessível
- 6.4 Dados para fine-tuning
- 6.5 Riscos do fine-tuning
- 7. Engenharia de Dados para aplicações com LLM
- 7.1 Por que governança de dados não é burocracia
- 7.2 Versionamento com Git e DVC
- 7.3 Dados sintéticos — quando o real não é suficiente
- 7.4 Pipelines de dados — automatizando o fluxo
- 7.5 Monitoramento — quando o mundo muda e seu modelo não sabe
- 8. Arquitetura, testes e observabilidade
- 8.1 Arquiteturas de referência
- 8.2 Testes para sistemas de IA — a pirâmide adaptada
- 8.3 Os três pilares da observabilidade
- 8.4 Guardrails — segurança em tempo real
- 8.5 Model Context Protocol (MCP)
- 9. Serving, deploy e infraestrutura
- 9.1 Hardware — o gargalo está na memória
- 9.2 Frameworks de serving — espremendo cada gota de performance
- 9.3 Compressão de modelos
- 9.4 Métricas de performance
- 9.5 Nuvem vs. self-hosting — a decisão estratégica
- 10. Projeto completo, ética e futuro
- 10.1 Fase 1 — definição do problema
- 10.2 Fase 2 — prova de conceito (PoC)
- 10.3 Fase 3 — MVP com RAG
- 10.4 Fase 4 — fine-tuning com o jargão da empresa
- 10.5 Fase 5 — observabilidade e monitoramento
- 10.6 Ética e responsabilidade
- 10.7 Tendências a observar
- 10.8 Conclusão — o engenheiro de IA como artesão
Dados do produto
- Número de páginas:
- 237
- ISBN:
- 9788555194399
- Data publicação:
- 09/2026